Plataforma da CPTM vazia durante mobilização de trabalhadores contra a privatização das linhas.
(Imagem: Paulo Pinto/ Agência Brasil)
Milhares de passageiros que dependem diariamente das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM enfrentam uma segunda-feira de forte pressão na mobilidade urbana de São Paulo. A paralisação dos trabalhadores, iniciada à meia-noite, coloca em xeque a rotina de deslocamento de boa parte da Zona Leste e da região metropolitana, trazendo à tona um debate profundo sobre os rumos das concessões públicas no estado.
A decisão pela greve foi consolidada em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil. O estopim para a mobilização vai além das tradicionais disputas salariais: os ferroviários batem de frente com o modelo de privatização adotado pela gestão do governador Tarcísio de Freitas, intensificado após incidentes recentes que acenderam o alerta entre os funcionários e usuários.
Na prática, o movimento expõe um desgaste que vinha se desenhando há semanas, quando a categoria estipulou um prazo limite de negociação com o Palácio dos Bandeirantes. Sem acordo, os trilhos que conectam milhões de paulistanos silenciaram.
O que está por trás da paralisação
No centro da discórdia está a transferência das linhas para a iniciativa privada. O processo, concluído em julho, acabou temporariamente suspenso após um incêndio assustar passageiros logo na primeira semana de operação da Trívia, empresa que assumiu a concessão. Para o sindicato, o episódio reforça a pressa e a falta de transparência em um processo que consideram lesivo aos cofres públicos e à segurança da população.
Mas há também uma preocupação imediata de sobrevivência profissional. A categoria exige a garantia de emprego para cerca de 4 mil servidores que hoje atuam nesses ramais. Os ferroviários temem demissões em massa e a precarização das condições de trabalho com a transição definitiva para a gestão privada.
Como isso afeta o cenário político e social
Do outro lado da mesa, o governo paulista defende a concessão como um pilar essencial para a modernização da rede ferroviária. De acordo com a gestão estadual, o modelo privado é a alternativa viável para acelerar investimentos pesados, expandir o atendimento e elevar o padrão tecnológico do transporte na região metropolitana de São Paulo.
O impasse atual desenha um cenário de incertezas para os próximos dias. Enquanto o governo tenta mitigar os prejuízos na mobilidade urbana, o sindicato sinaliza que a mobilização pode ganhar novos contornos caso as demandas por estabilidade e revisão contratual não sejam ouvidas. Esta queda de braço serve como um termômetro crucial para os próximos projetos de desestatização planejados para o estado.