Déficit público sobe para R$ 55,3 bilhões em junho.
(Imagem: Divulgação/Porto de Santos)
As contas públicas do Brasil registraram um saldo preocupante no mês de junho, revelando o tamanho do desafio que o país enfrenta para equilibrar seu orçamento. O setor público consolidado que reúne União, estados, municípios e estatais, apresentou um déficit primário de R$ 55,3 bilhões no período, conforme apontam os dados do Banco Central divulgados nesta sexta-feira. O resultado é pior do que o registrado no mesmo mês do ano anterior, quando o saldo negativo foi de R$ 47,1 bilhões.
Mas o impacto vai muito além desse número imediato. Quando olhamos para o acumulado de 12 meses, o buraco nas contas públicas chega a expressivos R$ 157,2 bilhões, o que equivale a 1,19% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Esse avanço contínuo do endividamento acende um sinal de alerta para investidores e para o bolso do cidadão comum, uma vez que a desconfiança fiscal tende a pressionar a inflação e a manter as taxas de juros em patamares elevados por mais tempo.
O que está por trás da escalada dos juros e do câmbio
O grande vilão do desempenho fiscal recente não foi apenas a diferença entre arrecadação e despesas básicas, mas sim o custo de carregamento da própria dívida. Em junho, os gastos com juros nominais atingiram a marca de R$ 110,7 bilhões, quase o dobro dos R$ 61,0 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. E é aqui que está o ponto central: a flutuação do câmbio teve um papel decisivo nessa dinâmica.
De acordo com o Banco Central, as chamadas operações de swap cambial geraram um prejuízo de R$ 9,3 bilhões em junho deste ano, em forte contraste com o ganho de R$ 20,9 bilhões obtido no mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, a conta de juros nominais consumiu R$ 1,16 trilhão, correspondendo a 8,80% de toda a riqueza gerada pelo país no período.
Como isso afeta a economia na prática
Na prática, isso muda mais do que parece na vida do cidadão brasileiro. Quando o governo gasta mais do que arrecada e precisa emitir mais títulos para se financiar, a percepção de risco aumenta. Como consequência direta, a Dívida Bruta do Governo Geral escalou para 81,9% do PIB, alcançando o patamar histórico de R$ 10,8 trilhões.
O endividamento elevado funciona como uma âncora para o crescimento de longo prazo. Com o governo consumindo grande parte do crédito disponível no mercado para pagar juros, sobra menos espaço para investimentos privados em infraestrutura, geração de empregos e consumo das famílias. No plano interno, todas as esferas operaram no vermelho: o Governo Central liderou o déficit com R$ 47,2 bilhões, seguido pelos governos regionais com R$ 6,6 bilhões e pelas estatais com R$ 1,5 bilhão.
O que pode acontecer a partir disso
A tendência é que a pressão sobre a equipe econômica e sobre o Banco Central continue intensa nas próximas semanas. Sem uma sinalização clara de corte de gastos estruturais ou de estabilização da relação dívida/PIB, o mercado financeiro deve continuar exigindo prêmios de juros elevados para financiar o governo, dificultando a queda da taxa Selic e encarecendo o crédito para toda a população.